Gênese da Obra (1938–1944) e Tradição no Brasil
Concebido inicialmente em 1938 como um projeto de seis meses para atualizar a iconografia pictórica do Tarot, o trabalho estendeu-se por cinco anos (1938–1943) de intensa pesquisa entre o mestre hermético Aleister Crowley (1875–1947) e a artista egípcio-britânica Lady Frieda Harris (1877–1962).
Estudiosa da geometria projetiva sintética de Rudolf Steiner e Olive Whicher, Lady Harris exigiu que cada uma das 78 lâminas integrasse rigorosamente a Cabala Hermética, a Astrologia, a Alquimia e as escalas de cores do Liber 777.
Em março de 1944, Crowley publicou em Londres o tratado The Book of Thoth (Equinox Vol. III, N.º 5), em edição limitada de 200 exemplares numerados. Após a partida de Crowley em 1947, Lady Frieda Harris legou as aquarelas originais ao Instituto Warburg da Universidade de Londres, onde permanecem preservadas.
A revisão terminológica, cabalística e iconográfica deste acervo em língua portuguesa fundamenta-se na obra de referência no Brasil sobre o Tarot de Thoth: Tarot: O Templo Vivente (Volumes I e II), de Anderson Rosa (Frater Goya), preservando a precisão das atribuições da Árvore da Vida, dos decanatos caldeus, dos 72 Anjos do Shem Ha-Mephorash e das dignidades da Corte.